Como medir Interfaces com Keystroke Level Model (KLM)

Como medir Interfaces com Keystroke Level Model (KLM)

Se você trabalha com desenvolvimento de produtos digitais, como designer, líder de tecnologia ou programador, provavelmente já está ciente da importância da usabilidade. No entanto, pode ser desafiador saber como medir efetivamente a usabilidade de uma interface. Uma ferramenta clássica e poderosa para essa tarefa é o Keystroke-Level Model (KLM). Embora o KLM tenha sido desenvolvido na década de 1980, ele continua sendo uma técnica eficaz e amplamente utilizada para avaliar a eficiência de interfaces, principalmente no que diz respeito ao tempo de execução de tarefas.

 

O Que é o Keystroke-Level Model (KLM)?

O Keystroke-Level Model (KLM) é um modelo de avaliação de usabilidade criado por Card, Moran e Newell em 1980. O modelo atribui tempos a diversas ações cognitivas e físicas realizadas pelo usuário ao interagir com um sistema. Essas ações incluem:

  • Pressionar teclas.
  • Movimentar o mouse.
  • Ler textos na tela.
  • Mover a mão do mouse para o teclado, e vice-versa.

O KLM permite prever o tempo necessário para um usuário especialista completar uma tarefa, fornecendo uma visão objetiva sobre a eficiência das interações dentro de uma interface. Ele é especialmente útil para quem quer entender como otimizar a rapidez e fluidez de processos como navegação em sites ou preenchimento de formulários.

Por Que Medir a Usabilidade com KLM?

Embora o KLM tenha mais de 40 anos, ele continua sendo uma ferramenta relevante, especialmente para medir a eficiência de uma interface. Usar o KLM pode ajudar de várias maneiras:

  • Identificação de gargalos de eficiência: O KLM permite identificar partes do processo que consomem mais tempo do que o necessário, facilitando melhorias específicas.
  • Melhoria da experiência do usuário: Com a análise dos tempos de execução, é possível tornar os processos mais ágeis e intuitivos, o que melhora diretamente a experiência do usuário.
  • Benchmarking de interfaces: O modelo permite comparar o desempenho de diferentes versões de sua interface ou até mesmo com interfaces concorrentes.
  • Impacto no resultado financeiro: Tarefas realizadas de forma mais eficiente podem resultar em economias significativas, como em call centers ou sistemas de e-commerce.

Alternativas ao KLM

Apesar de sua eficácia, o KLM tem suas limitações, como o foco em usuários especialistas e a falta de insights sobre a satisfação e comportamentos dos usuários. Por isso, é importante considerar alternativas mais modernas que complementam o KLM:

  • Testes de Usabilidade: Observação direta de usuários reais interagindo com a interface oferece dados mais ricos e qualitativos.
  • Análise de Heatmaps: Ferramentas que rastreiam onde os usuários clicam e como se movem pela tela.
  • Testes A/B: Comparação entre duas versões de uma interface para entender qual tem melhor desempenho.

Essas abordagens podem fornecer uma visão mais ampla e detalhada da experiência do usuário.

Screenshot

Como Usar o Keystroke-Level Model (KLM) para Avaliar Sua Interface

Para aplicar o KLM, siga estas etapas simples:

1. Defina a Tarefa a Ser Avaliada

Primeiro, defina a tarefa que você deseja avaliar. O KLM mede o tempo necessário para concluir ações específicas, então escolha tarefas representativas. Exemplos incluem:

  • Preenchimento de formulários.
  • Compra em um e-commerce.
  • Navegação entre seções principais do sistema.

2. Atribua Tempos às Ações

Em seguida, atribua tempos a cada ação que o usuário realiza. Os tempos padrão do KLM são baseados em estudos de comportamento humano e variam dependendo do tipo de interação. Por exemplo:

  • Pressionar uma tecla: 0,2 segundos.
  • Movimentar o mouse: 1,1 segundos.
  • Ler um texto: 1,0 a 1,5 segundos por linha.

Com essas informações, calcule o tempo estimado para a execução da tarefa.

3. Realize o Cálculo

Depois de atribuir os tempos, some os valores para calcular o tempo total de execução da tarefa. Por exemplo, se a tarefa incluir:

  • 3 cliques do mouse.
  • 2 movimentos do mouse.
  • Leitura de 2 linhas de texto.

A soma dos tempos lhe dará uma previsão do tempo total para a execução da tarefa.

4. Compare os Resultados

Após calcular o tempo de cada tarefa, você pode comparar os resultados de diferentes versões da interface ou até mesmo de concorrentes. Isso ajuda a identificar qual versão é mais eficiente.

Estudo de Caso: Abertura de Conta Corrente Online

Vamos aplicar o KLM em um exemplo prático: o processo de abertura de conta corrente online. Imagine que você queira avaliar o tempo que um usuário especialista levaria para completar o processo de abertura de conta em um site bancário. O KLM pode ser usado para medir o tempo de execução de várias etapas, como:

  1. Leitura das instruções (tempo atribuído com base no texto).
  2. Preenchimento do formulário (tempo para digitar dados).
  3. Cliques para avançar entre as etapas (tempo para clicar e mover o mouse).

Ao comparar os tempos das diferentes versões do processo, você pode identificar áreas para otimização, como simplificar formulários ou melhorar a navegação.

Limitações do KLM

Embora o KLM seja útil, ele tem algumas limitações importantes:

  • Foco em usuários especialistas: O KLM mede o tempo de usuários especialistas, o que pode não refletir a experiência de usuários iniciantes ou ocasionais.
  • Não fornece explicações sobre os comportamentos: O KLM não responde ao “porquê” de um usuário estar levando mais tempo em uma tarefa.
  • Não cobre todos os aspectos da experiência: Embora o KLM seja excelente para medir eficiência, ele não fornece dados sobre satisfação ou dificuldade de aprendizado de uma interface.

Outras Métricas de Usabilidade a Considerar

Para uma avaliação mais completa da usabilidade, é importante combinar o KLM com outras métricas de usabilidade, como:

  • Testes de usabilidade: Observação de usuários reais.
  • Análise de erros: Identificação e correção de erros cometidos pelos usuários.
  • Taxa de conversão: Medição de como a interface impacta os objetivos do negócio, como compras ou cadastros.
  • Análise de Heatmaps: Acompanhamento do comportamento visual dos usuários durante a navegação.

Conclusão

Embora o Keystroke-Level Model (KLM) tenha sido desenvolvido há mais de 40 anos, ele continua sendo uma técnica extremamente útil e eficiente para avaliar a eficiência de tarefas em interfaces digitais. Embora existam ferramentas mais modernas e abordagens complementares, o KLM permanece uma excelente escolha para quem busca otimizar a interação do usuário com sistemas digitais. Ao combinar o KLM com outras metodologias de usabilidade, você pode obter insights valiosos para criar produtos mais rápidos, fáceis de usar e agradáveis para seus usuários.

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